Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008

A alma da gente

1 de Fevereiro de 2008
22:30

Os "bonecos da Igreja" foi a primeira expressão atirada ao ar e que ouvi ao chegar à "nova" moradia por quatro dias e que me fez rir desalmadamente. Não era caso para tanto mas no Carnaval ninguém leva a mal. Sem dúvida, que já não há santos mas "bonecos" e nós éramos, também, quatro bonecos de carne e osso prontos para as danças do Carnaval com cheirinho à freguesia que nos chama para perto da pequena serra.

O primeiro bailinho foi o da casa, isto é, o da Serreta, que me encheu de felicidade a que juntei à felicidade que já tinha junto de mim. Senti uma emoção especial e estava perto das pessoas da freguesia que me conhece nem que seja por ser dali natural. Houve até uma residente que me disse: "Nunca esqueces a Serreta." - É verdade! Quem pode esquecer o seu berço!? Só mesmo quem tem coração duro.

Pese embora as cadeiras também serem duras, aguentámos sentados longas horas de divertimento e riso. Perto de nós estavam uns vizinhos da casa que nasci. Uma dessas pessoas é uma senhora que sempre nos mostrou ter uma força interior muito especial. Sobreviveu a tempestades, a dores e penas. Foi sempre uma mulher de coragem, uma referência na freguesia, uma lutadora e muito trabalhadora. Ao pé dela ninguém consegue ficar triste porque ela anima quem quer que seja com aquele ar risonho mesmo que por dentro possa estar noutra fase.

Nunca lhe disse, mas teve um tempo que senti vontade de ter uma mãe assim, sobretudo naquela idade das interrogações. Agora, neste Carnaval, fiquei feliz de estar ali perto dela porque me fez lembrar da minha mãe que não fez mais por mim porque cedo ficou incapacitada.

O amor não se mede mas tem-se. O amor sente-se quando se quer bem.

Vê-se que esta senhora nutre grande amor pela família e transmite alegria e boa disposição aos circundantes. Os seus cabelos já estão grisalhos mas o seu riso continua igual e reconheço-o mesmo de olhos fechados. E muito rimos com alguns assuntos das danças e bailinhos que passaram pelo palco do renovado salão da Sociedade Filarmónica Recreio Serretense.

Nunca lhe falei desta simpatia que nutro por ela e pelo bonito nome que ela tem: - Ernestina!

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publicado por Azoriana às 00:32
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3 comentários:
De jts a 12 de Fevereiro de 2008 às 15:16
Bom dia, minha cara amiga, folgo muito por a ver assim tão bem disposta. Na realidade, a nossa terra é sempre a nossa terra e a SERRETA , tenho a certeza que tem para si, muito de especial. São as saudades da nossa infância, o cheiro dos lugares por onde brincamos, as pessoas mais velhas que recordamos, até o sol é diferente, depois de tanto tempo fora. Mas, a vida prega-nos estas partidas, e temos que visitar outros mundos, conhecer outras paragens, viver uma nova vida.
Em 1 961 - na altura em que fui mobilizado para prestar serviço militar em África - no meu lote de amigos verdadeiros, eu tinha uma criatura que era aqui em Mondim de Basto, funcionário dos Serviços Florestais. Antes de eu embarcar para a Guiné-Bissau, ele foi despedir-se de mim e disse-me: "olha eu também vou sair de Mondim de Basto. Mas tu ainda voltas, eu não sei. Acabo de ser nomeado para chefiar a Circunscrição Florestal da cidade da Horta, na ilha do Faial nos Açores". É óbvio que fiquei triste com a notícia da sua saída, mas ao mesmo tempo muito contente, por verificar, que as qualidades do meu amigo foram consideradas e a sua promoção no sector da função pública, um facto. Eu embarquei para África no dia 13 de Maio de 1 961; ele para oa Açores em 30 do mesmo mês. Durante o tempo que estive em África, correpondêmos-nos regularmente, até que os nossos contactoa começaram a rarear e quando regressei, a nossa correspondência estava atrazadíssima...
Volvidos. quarenta e seis anos sem nos vermos, escreve-me a dizer se eu tinha uma cama disponível em minha casa, para ele passar aqui alguns dias. Senti uma enorme alegria e um contentamento tão grande que lhe respondi de imediacto, dizendo que o esperava com grande emoção.
Em todos estes anos as nossas vidas, sofreram alterações tremendas...
Eu casei e tenho um casal de pombos, com 30 e 31 anos de idade. O mais velho é dono de uma Livraria e a minha pequena, licenciou-se em Comunicação Social e é jornalista do J.N. do Porto, há sete anos. Tudo bem, graças a Deus. O meu amigo Fernando Campos - é este o seu nome - também casou aí nos Açores, tem cinco filhos e já é avô. Lindo... não acha?
As voltas que o mundo dá, meu Deus...
Quero ainda dizer-lhe, que conheci a sua esposa e uma das filhas, ambas aõrianas, claro e gente muito boa, que me convidaram para os visitar no Faial, mas ainda não foi possível por falta de tempo.
Enfim, minha cara amiga, o mundo não é assim tão grande como se diz... as suas fronteiras são cada vez mais pequenas. E por hoje chega.
Um beijão para si e todas as felicidades do mundo, junto dos seus, JTS (Teixeira da Silva ).
De Azoriana a 13 de Fevereiro de 2008 às 22:23
Interessante biografia. Apraz-me dizer-lhe que também conheço o Faial e tenho familiares na vizinha ilha do Pico. Tanto uma como outra são ilhas que nunca mais se esquecem: uma brilha de azul e outra de negro dos "mistérios" e da montanha tão alta, mas tão alta, que até dá para avistar as suas irmãs.
Pelo que relata, sinto estar perante uma pessoa que estima muito o povo açoriano.
Relembre-me como descobriu o meu blog? O que o cativou? É que muito do que vou escrevendo tem uma razão entrelaçada: a descoberta de algo que desconhecia em mim - o gosto pela rima dita popular. Talvez se deva ao facto de viver na ilha maior das cantorias, das festas paroquiais e das touradas, das desgarradas, do "Pezinho", das famosas "Velhas", dos Bailinhos e Danças de Carnaval... Afinal, tomei-lhe o gosto de tal forma que até já tenho material para encher o blog e até algumas secções da página pessoal.
Foi um mote para mudar de vida. Acredite que mudei radicalmente e confesso, que para melhor, apesar de algumas falhas métricas. Tenho feito todo o possível para melhorar uma vez que eu até 2004 nem um postal escrevia. :)
Sou mulher terceirense com alma aventureira!
Abraço!
De jts a 14 de Fevereiro de 2008 às 21:28
Gostei do seu comentário. Encantado e muito obrigado pelas considerações que faz.
O meu amor aos Açores, vem já de muito longe, pois quando em 1 961, fui mobilizado para a Guiné-Bissau, foi por um triz que não fui parar aos Açores. Não tive sorte e tive que rumar até África. Mas, há outros motivos para eu gostar dos Açores, e estive quase, quase a visitar a Terceira, aí mesmo nessa linda cidade de Angra do Heroísmo...
Sabe porquê, minha cara amiga? Eu vou contar.
Há cerca de dez anos, foi colocada como Escrivã no Tribunal de Angra, uma minha cunhada - irmã de minha esposa - que se manteve aí, quatro anos. Mandava-nos fotos de todos os pontos da cidade, que eu achei maravilhosa e por quem me apaixonei.
Essa cidade, penso que é património da humanidade, ao vivo deve ser um encanto. Engraçado, que a minha cunhada, convidou todo o mundo para passar aí férias.
Por ironia, eu apesar de ser também convidado, fui o único da família a não visitar os Açores. Ficará para outra altura, digo eu.
E aqui tem minha cara amiga, as razões do meu amor aos Açores. Por tudo isto, quero dizer-lhe que não foi por acaso que descobri o seu blog. Quando isso aconteceu, disse para comigo: "aqui está uma boa fórmula para conhecer um pouco mais das ilhas dos Açores, e assim foi. Mas há mais; uma sua blogista - "ANITTA", que é de Chaves, passei a conhecê-la por intermédio do seu blog... bendita internet... e pronto, vamos encerrar a nossa loja por hoje, espero que S. Valentino lhe tenha proporcionado um óptimo dia.
Um beijo, JTS (Teixeira da Silva ).


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nota de abertura

Neste espaço residem pequenos fragmentos da alma serretense.
Um residente classificou-a como sendo fresca no clima e quente na hospitalidade. É, sem dúvida, uma freguesia fresca, pequena mas com uma grande alma.

É um "Cantinho do Céu", como a autora lhe chamou num dos seus artigos, já publicados no blog original "Azoriana / Açoriana".
Sob o pseudónimo de Cidália Miravento e na capa de "Azoriana", Rosa Silva vai reunindo coisas suas e de outros no intuito de divulgar a freguesia que lhe deu berço - SERRETA.

Bem-vindo à Serreta, a freguesia de Nossa Senhora dos Milagres, do concelho de Angra do Heroísmo, ilha Terceira - Açores.
in DI Domingo. Foto de António Araújo

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