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Serreta - Angra do Heroísmo

Os escritos são laços que nos unem, na simplicidade do sonho... São momentos! 09/04/2004. Terceira - Açores

Serreta - Angra do Heroísmo

Os escritos são laços que nos unem, na simplicidade do sonho... São momentos! 09/04/2004. Terceira - Açores

28
Set13

Algumas imagens da inauguração da Casa Mortuária da Serreta a 27/09/2013, sexta-feira, pelas 18:30

Azoriana

 

 


Peço desculpa pela pouca qualidade da imagem mas antes é o que consegui editar com os meus parcos recursos tecnológicos. Há de haver quem tenha melhor imagem para facultar.

O que interessa deixar presente é todo o evoluir de uma freguesia cuja população é pouca mas com grandes valores que lhes legaram os antepassados que se hoje estivessem vivos ficariam orgulhosos de ver a "sua" Serreta ter, finalmente, o que muito os teria gratificado na hora da despedida eterna. Em vez de recorrer a outros edifícios fora da freguesia, hoje já têm um espaço multifacetado para receber e guardar o que os populares vão deixando na sua passagem terrena. Urge repensar atitudes e algumas formas de pensar que em muito prejudicam a vivência terrena. Dê-se valor a quem o merece e sobretudo a quem, seja como for, deu o seu contributo com mérito à freguesia onde nasceu. Sérgio Cardoso deu doze dos seus anos para que a Serreta tivesse o possível e impossível dada a escassa população.

Merecem também os maiores louvores os nossos emigrantes, cuja naturalidade está registada como serretense. Para eles fiz esta edição de imagens para também agradecer toda a sua contribuição para que a "sua" Serreta seja sempre um altar de romaria, de fé, de importante ponto de encontro de tantos e tantas que no meio de tormentas recorrem à Mãe que lhes dá sempre o tónico para a vida ou para aceitar o que por vezes é o caminho para a eternidade.

Bem-haja as crianças que serão os homens de amanhã e peço-lhes que zelem pelo que os seus pais e avós lhes conseguiram deixar como herança gratificante com o suor dos seus trabalhos e alegria da sua identidade.

Bem-haja todo aquele que mesmo não concordando com isto ou aquilo, no fundo, sente que é ali que passam as últimas horas de uma despedida que ficará na memória conjunta. Quem me dera que todas as pessoas das nossas freguesias pudessem estar assim felizes por obra feita como eu, pese embora não residir na minha original, estou por ver a Serreta ir contando na realidade regional dos nossos queridos Açores.

Fica assim o meu testemunho de amor pelo que vejo de bom ser construído com arte, valor e amor.


 

Meu amor teve uma faceta
Que foi minha capital
Ter nascido na Serreta
Foi um lírio especial.

Foi lá que me ri primeiro,
Foi lá que também chorei,
Entre o denso nevoeiro
Foi lá que ressuscitei.

Por isso a bela rosa
No bico de alva ave
No meu peito já repousa
Me fechará sem ter chave.

Adoro as nossas flores
Nas coroas ou nos ramos
São como versos de amores
Que, enfim, por cá deixamos.

Rosa Silva ("Azoriana")
2013/09/28
28
Set13

2013/09/27, sexta-feira, 18:30 - Inauguração da Casa Mortuária da Serreta

Azoriana
Eu vi um homem chorar
Dizem que o homem não chora
Porque conseguiu inaugurar
Mesmo que em cima da hora
Do seu ofício acabar
E sofreu muito até agora.

Foi um sonho o seu projeto
Numa Junta de pouco povo
Talvez nem teve dele afeto
Mas isso já nem é novo
O ato final foi concreto
Por isso eu muito o louvo.

Agora daqui para a frente
Quando alguém ali falecer
Na freguesia de pouca gente
A sua urna já ali vai ter
Sala melhor e decente
Antes de à terra fria descer.

Juro que quem for lá primeiro
Nas tábuas de um caixão
Vai saber o mundo inteiro
Que junto à consternação
Terá na Casa o letreiro
Chorando com a população.

Minha gente tão querida
Ninguém fica pra semente
Pode-se brincar com a vida
Mas a morte é simplesmente
O que torna a despedida
Um luto e uma dor ardente.

E quando um dia me for
Levo dentro do meu peito
O que fiz com muito amor
E também o mal em preito
Agradeço muito ao Senhor
Por ter visto o último leito.

Rosa Silva ("Azoriana")
23
Set13

Artigo histórico de Fagundes Duarte

Azoriana

O ideal e recomendável seria pedir autorização ao autor e/ou ao diretor do jornal, para republicar na íntegra o conteúdo do Folhetim 637, de Luiz Fagundes Duarte, cujo título é nem mais nem menos do que o nome dado a um restaurante serretense, típico, claro está, e que me fez recordar outras eras numa história que já conhecia mesmo sem me lembrar do tal personagem nem da recente descoberta do que aconteceu às galochas do mesmo. Que a filha tinha falecido de corrente de ar também já sabia. Mas as galochas é que me plantaram um sorriso e, caso eu fosse leiga, perdoaria a ocorrência como medida de louvar a escrita sempre inimitável e sábia do conterrâneo Fagundes Duarte.

 

Leio e volto a ler.

 

Copio e colo como que numa vontade da escritura prevalecer tal e qual foi gerada e digna de ser considerada um ARTIGO HISTÓRICO, com todos os requintes de um passado recente. Desta escrita sem mácula podem-se extrair tantas vivências e formas de vida de um paraíso terrestre. Ei-la:

 

Folhetim (637)

 

Luís Fagundes Duarte

 

Ti' Manuel Xôa

 

Hoje não há na Terceira quem não conheça o restaurante típico Ti Xôa. Na Terceira, e um pouco por todo o lado, até porque já foi tema de artigos em grandes jornais de referência nacional. Mas muito poucos saberão o porquê deste nome. Por isso, e com licença do Sérgio Cardoso, seu proprietário, apetece-me hoje contar a história deste nome, que faz parte da minha história de vida.

 

Naquela casa, que era de pedra não rebocada, vivia o Ti' Manuel Tesoureiro, mais a sua filha Deolinda. Ele tinha sido emigrante por longos anos, primeiro na Argentina, e depois nos Estados Unidos, de onde regressara antes de eu nascer, não me recordando agora se a Deolinda já nascera ali ou separa ali teria vindo já nada. Sei que ele era viúvo, mas não me recordo de qualquer referência à sua defunta mulher: só sei que, durante toda a minha infância, viviam naquela casa o Ti' Manuel Tesoureiro mais a sua filha Deolinda - uma solteirona meia entradota e roliça, a dar para o serva de Deus, de basta cabeleira loira e óculos muito grossos de míope extrema assentados num nariz arrebitado com as narinas alargadas de tanto enfiar rapé. Ela passava o dia à janela, vendo quem passava com os seus olhinhos miudinhos, e ele na sua faina de lavrador pobre, muito magrinho nas suas calças de cotim, nas suas sapatas de sola de pneu atadas com atilhos de coiro, e, entre as calças e as sapatas, os baixos das suas ceroulas brancas com os atilhos a dar-a-dar. Quando o chão estava mais alagado, as sapatas eram substituídas por umas galochas de madeira, com que ele - clapt-clapt-clapt - assinalava o seu passar no alcatrão do caminho.

 

O Ti' Manuel Tesoureiro falava com um acento espanholado de ex-emigrante sudaca e, fosse a propósito do que fosse, exclamava sempre "xôa! xôa!", o seu bordão linguístico para significar "sim", "com certeza", "tens razão!", muitas vezes completado com um "sim" - "xôa que sim!" -, a marca indefectível de ex-emigrante nas terras a América que assim reproduzia o "sure!" que os americanos, no seu falar inglesado, tanto gostam de utilizar por dá cá aquela palha. E por isso era mais conhecido por Ti' Manuel Xôa, ou, mais lampinho, por Ti' Xôa - designação que o meu amigo Sérgio inteligentemente adoptou para nome do restaurante.

 

Entre outras coisas, o Ti' Xôa capava porcos, operação que nesses tempos de falar pudicício era designada por "amanhar": ou seja, ele amanhava porcos. Um dia, a chamado de meu Pai, foi lá a casa para amanhar um porco; mas como tinha chovido muito, a rua do porco estava toda enlameada - pelo que o Ti' Xôa, para não estragar as galochas novas, as deixou do lado de fora, arregaçou as calças e as ceroulas, afundou-se na porcaria da rua do porco (passe o pleonasmo), e enquanto sacava da navalha (com que também cortava as fatias de pão e os nicos de queijo de S. Jorge na hora da comida) para amanhar o porco - que desatou a gritar de morte, de tal maneira que ainda hoje me arrepia e me leva a proteger com as mãos certas partes de mim -, eu não resisti a um impulso cá de dentro e vai daí roubei-lhe as galochas e fui escondê-las na rua das galinhas ao lado. O pior foi a palmada que apanhei depois, quando o meu Pai descobriu a marotice, e o remorso com que fiquei quando, dias depois, a Deolinda, tendo ido pôr-se à janela depois de ter lavado a cabeça com água quente e sabão azul e branco, apanhou uma pancada de vento encanado e morreu. Assim.

 

Depois de enterrar a filha, o Ti' Xôa nunca mais foi o mesmo: era uma alma penada nas suas ceroulas e no seu "xôa que sim!".

 

E eu nunca me perdoei de um dia lhe ter roubado as galochas.

 

In DI. DOMINGO 22.SET.2013

16
Set13

Festa da SERRETA 2013 - Bodo de Leite

Azoriana

Histórico - "Vinde Espírito Santo" - 10-09-2013

 

É uma festa tão bonita,
Para aquele que acredita
No (1) Divino Espírito Santo:
Vinho e pão p’ra toda a gente
Na partilha consciente
Da Trindade e seu encanto.

 

Um altar ornamentado
Luz e flores por todo o lado
Numa alvura de pasmar
É o começo da festa
Um simbolismo que presta
Uma oração a dobrar.

 

Quem reza (2) o terço a cantar
Sabe que está a rezar
Com dobro de intensidade
Os Mistérios do Divino
Coroados pelo Hino
Honram a Santíssima Trindade.

 

E não vamos esquecer
As rodas que vimos fazer
Com folia no passado
Raparigas e rapazes
Sempre foram os audazes
Do lenço no chão deixado.

 

As cantigas entoadas
Por garridas gargalhadas
Animavam a freguesia,
Era um brinde à amizade
E por causa da Trindade
Tanto namoro se fazia.

No fim do terço a preceito
Havia sempre a jeito,
Geralmente à quarta-feira,
As merendeiras pequeninas
De doçura eram finas
Davam mote à brincadeira.

 

Na quinta se enfeita o gado
Num bezerro simbolizado
Para seguir na (3) Briança
Toda a gente abre a porta
E a quadra se recorta
No meio da maior festança.

 

Pão, queijo, favas escoadas,
Vinho de cheiro e gaitadas
Recheiam nosso improviso;
Cantadores e tocadores
Juntam-se também aos licores
Que fazem perder o juízo.

 

Os marchantes vêm então
São os homens da função
Que das carnes vão tratar:
Cabeça, lombo e traseira,
Benzidos de igual maneira,
Por suas mãos vão passar.

 

Esmolas, alcatra e cozido
Previamente tudo benzido
Com o cetro da Coroa:
Na mesa da refeição
A Coroa tem distinção
E a todos abençoa.

 

Histórico - "Vinde Espírito Santo" - 10-09-2013 (continuação)

 

Antes disto acontecer
A (4) Coroação vai-se fazer
Em cortejo pró Santuário
As Coroas junto ao altar
Lindas, alvas a honrar
O Deus vivo no Sacrário.

 

O padre benze e coroa
A criança que ecoa
Em pureza a Trindade:
Pai, Filho, Espírito Santo!
E na graça deste encanto
Rege-se a nossa comunidade.

 

Em alas regressa a casa
Pelo caminho extravasa
Toda a fé e devoção;
Vai a banda a tocar
O Hino p’ra Deus louvar
Cumprindo a sua missão.

 

O sino e os foguetes
São verdadeiros lembretes
Da passagem do Divino;
Não há quem fique indiferente
Ao ver toda a nossa gente
Unida num só destino.

 

Igreja, Despensa e Império,
Cada um com seu mistério
No átrio da Divindade:
Benzer, dar e receber
Fazem todos perceber
O Amor pela caridade.

Há rosquilhas e alfenim
Símbolos de amor sem fim
Para serem arrematados:
Promessas feitas com fé
Um braço, uma mão ou pé
E animais que foram curados.

 

Entre trabalhos e orações
Também vem ocasiões
Entre verduras e montes:
Cestos de costas e sabão,
Baldes nalgum burro anão,
Alegres seguem p ’rás (5) Fontes.

 

Fonte de água cristalina
Ao subir uma colina
Com as pias de lavar;
Juntavam-se as lavadeiras
Fossem casadas ou solteiras
Com sua trouxa e a cantar.

 

Entre as rodas da alegria
E o lavadoiro da pia
Há roupa posta a corar;
Hoje temos a saudade
Ao lembrar dessa Trindade
Que hoje se está a recordar.

 

A Serreta vive a festa
E melhor honra lhe presta
Num olhar embevecido:
Viva, viva o Espírito Santo
Que nos dá sempre um tanto
De tudo o que é repartido.


Nota: Cinco quadros temáticos, em cortejo da antiga escola até ao Santuário, com faixas identificativas: (1) "Vinde Espírito Santo; (2) Reza do Terço; (3) Briança; (4) A Coroação; (5) As Fontes.

Angra do Heroísmo, 16 de setembro de 2013

Rosa Silva ("Azoriana")

04
Set13

Há escritos sobre a Serreta

Azoriana

Açores

Nossa Senhora dos Milagres mobiliza fé da Ilha Terceira

 

Motivados para pagar promessas ou simplesmente por fé, quase sete mil peregrinos, de toda a Ilha Terceira, caminham a pé, muitos deles descalços, para a freguesia da Serreta, para agradecer a Nossa Senhora dos Milagres.

 

“Venho com fé pagar uma promessa”, diz Filipe Mendes, 28 anos, carteiro, que confessa “todos os dias quando salto para a moto, a fim de distribuir o correio, benzo-me e acredito que existe algo superior a nós”.

 

Os grupos de peregrinos lembram as ondas e marés que dão à costa, mesmo junto à estrada do litoral da ilha, que percorrem para chegar ao maior e mais importante centro mariano dos Açores para pagar promessas feitas em horas de aflição ou simplesmente para orar.

 

Alguns fazem a sua “caminhada da fé” por estradas do interior, e quer num ou noutro caso há quem percorra perto de quarenta quilómetros.

 

Um habitante da vizinha freguesia das Doze Ribeiras vai, do muro da sua casa, incentivando os caminhantes informando-os que “ainda faltam uns quatro quilómetros, mas são bem crescidos”. Quer dizer, são quase cinco quilómetros e antes de se avistar o Santuário “ainda há uma ladeira inclinada o bastante” a exigir um último e decisivo esforço de fé e devoção.

 

É esta “onda” que leva o pároco da freguesia, Manuel Carlos, a considerar que “quase toda a população é tocada pela Senhora dos Milagres o que a torna quase na padroeira da ilha, pelo menos em termos afetivos”.

 

Os peregrinos resguardam o motivo por que vão pagar as promessas, a maioria “por questões pessoais”, embora também caminhem aqueles que prometeram pelos amigos. Partindo da freguesia da Ribeirinha, distante quase trinta quilómetros e a três horas e meia do Santuário, José Melo de 34 anos, foi pagar uma promessa “por um amigo que teve um acidente em que ficou muito mal”, mas agora já se encontra melhor, “porque a fé também o ajudou”, diz convicto.

 

Observam-se, ao longo do percurso, pessoas idosas, jovens e até casais com filhos bebés que são transportados nos seus próprios carrinhos de alcofa. Muitos deles prosseguem por todo o trajeto concentrados em rezas e orações, não obstante o aparecimento da chuva e da elevada humidade que se faz sentir.

 

Para a eventualidade de qualquer desfalecimento físico ou problemas de bolhas nos pés, os peregrinos são assistidos nos diversos postos, fixos e móveis, disponibilizados pelas Juntas de Freguesia, Proteção Civil, Bombeiros Voluntários e Cruz Vermelha.

 

Miguel Azevedo, 33 anos, faz este percurso pela primeira vez “pelo desafio físico, para pagar uma promessa, mas também por existir um certo misticismo em torno desta veneração”. Diz-se um “homem de fé” que define como sendo “um entendimento próprio que cada um pode ter sobre algo que é superior a nós”.

 

Igualmente Mónica Seidi, 24 anos, estudante de medicina, caminha “para pagar uma promessa” mas, como tem “bastante fé”, sublinha que “iria de qualquer das formas”.

 

Ou André “de idade incerta mas seguramente mais de 50 anos”, que já fez por diversas vezes o caminho da “minha ligação à Senhora da Serreta” e que lá torna para confirmar que “ainda amo e também sou amado”, finaliza sorrindo.

 

Luísa Pimentel, de 38 anos, ainda que tenha fé, faz o percurso porque gosta de caminhar e este ano em solidariedade com a amiga e familiar Marina Pimentel, 31 anos, que “vai agradecer o que pediu porque se cumpriu”.

 

Esta “fé é uma confiança plena e absoluta em Deus”, segundo o padre Manuel Carlos, que a vê desenvolver-se “em termos mais genuínos e puros nos grandes apuros da vida”. “Quando o homem se dá conta de que as suas forças, o seu saber é pouco para fazer face aos desafios que se lhe apresentam, é aí que se lança nos braços de Deus, confiante que será Ele a suprir aquilo que o ser humano não é capaz”, explica.

 

O pagamento das promessas é feito, para além da oração, em dinheiro ou velas, que chegaram a ser tantas - no passado o anterior pároco pediu para não levarem mais - que obrigou à construção de um “candelabro no exterior do templo” (como em Fátima) onde todo o ano há círios acessos.

 

 “A tradição das velas”, lembra Manuel Carlos, “é antiga, do tempo em que não havia eletricidade”, servindo então a luz das velas para alumiar o espaço sagrado e todos os atos religiosos. Para o pároco, o mais importante “é o que vai no coração de cada um”. O agradecimento em dinheiro para o culto, vela elétrica no lampadário, vela de cera ou uma simples oração, tanto faz desde que “seja com fé”.

 

Manuel Carlos diz saber que “há cada vez mais jovens a participar nesta manifestação”, o que o faz acreditar que “a fé esteve, está e continuará a estar presente, numa relação direta entre Deus e cada um de nós”. “Agora manifestam essa fé de maneiras diferentes daquilo que eram outros tempos e querem outras formas de expressão da religiosidade, outras linguagens que usam e outros atos que praticam e que nós respeitamos”, garante Manuel Carlos.

 

A origem

 

O início do culto à Nossa Senhora dos Milagres na Serreta não está completamente esclarecido em termos históricos, mas dados do “Almanach Açores” situam-no no século XVI “quando um piedoso sacerdote para ali se retirou vítima d’uma injusta perseguição”.

 

O padre, hoje identificado, por fontes históricas da genealogia, como sendo Isidro Fagundes Machado terá escolhido como refúgio “aquele ermo lugar, numa atitude de puro anacoreta, na sequência de uma visão proporcionada por Nossa Senhora”.

 

O padre Isidro Fagundes, segundo os registos de batismo e óbito, nasceu na freguesia de Santa Bárbara na ilha Terceira no ano de 1651 e morreu em 1701 na freguesia da Serreta junto da imagem da virgem e da pequena capela que erigiu na sequência do seu eremitério. Depois da sua morte a imagem, onde já acorriam muitos populares para a venerarem, foi retirada para a Igreja da freguesia das Doze Ribeiras, porque os Romeiros, devido ao relativo abandono em que se encontrava a capela, praticavam ali atos pouco edificantes.

 

Mais tarde em 1762, depois da notícia da entrada das tropas espanholas em território continental português, os oficiais da guarnição local “prometeram à Virgem festas solenes se a ilha Terceira não fosse atacada”. Assinada a paz, os peticionários, que ficaram conhecidos como “escravos da Senhora”, lavraram um termo reafirmando aquele voto, em 11 de Setembro de 1764, “numa cerimónia solene e de elevada piedade”.

 

Porém, só em 1772 se acordou na reedificação da ermida da Serreta, mas apenas em 1818 o general Francisco António de Araújo “com dinheiros do Estado e donativos do povo” começou a sua construção “que não se concluiu devido às perturbações políticas daquela época”.

 

A Igreja do Curato da Serreta, orago de Nossa Senhora dos Milagres, viria a ser concluída em 1842, data em que foi transladada a imagem original levada pelo padre Isidro Machado.

 

Mais tarde, a 2 de Julho de 1847, tomou conta do Curato da Serreta Francisco Rogério da Costa, que ali se manteve por cinco anos, período em que lançou as bases da transformação da Ermida na Paróquia, criada a 16 de Outubro de 1861 por um decreto do Bispo D. Frei Estevam, que principiou a funcionar a 1 de Janeiro de 1862.

 

Com o aumento da população daquele local voltado a sudoeste e com a serra da Serreta, que lhe deu o nome, localizada a Norte, com a chegada sempre crescente de um maior número de romeiros e peregrinos o templo tornou-se pequeno para os acolher. Foi então iniciada, com o lançamento da primeira pedra a 29 de Abril de 1895, a construção de uma nova Igreja, que serve atualmente ao culto na freguesia.

 

Paralelamente aos atos religiosos decorreu um programa que incluiu arraiais, bailes e a tradicional tourada à corda, que “obrigaram” a um dia de tolerância de ponto, celebrado ontem (15 de Setembro), conhecido pela segunda-feira da Serreta e que é vivido por toda a ilha Terceira.

 

João Aranda e Silva (Lusa)

16.09.2008

 

 

Artigo in http://www.snpcultura.org/vol_Nossa_Senhora_Milagres_terceira.html.

Imagem in "Diário Insular"

01
Set13

Programa das Festas de Nossa Senhora dos Milagres - Serreta 2013

Azoriana

ORAÇÃO


Bendita sejas Maria,

Ventre sagrado de Amor!
Na alegria e na dor
És a nossa companhia.


Peregrinos da romaria
Seguem fiéis Teu andor;
Por seres Mãe do Redentor
És a nossa estrela-guia!


Rosto lírico de fé
E de quem crê que assim é
És a flor da esperança.


Ó linda Mãe verdadeira
Da Serreta padroeira:
Contigo tudo se alcança!


Rosa Silva ("Azoriana")
Setembro 2013


Veja o Programa completo no blog Azoriana (siga o link)

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nota de abertura

Neste espaço residem pequenos fragmentos da alma serretense.
Um residente classificou-a como sendo fresca no clima e quente na hospitalidade. É, sem dúvida, uma freguesia fresca, pequena mas com uma grande alma.

É um "Cantinho do Céu", como a autora lhe chamou num dos seus artigos, já publicados no blog original "Azoriana / Açoriana".
Sob o pseudónimo de Cidália Miravento e na capa de "Azoriana", Rosa Silva vai reunindo coisas suas e de outros no intuito de divulgar a freguesia que lhe deu berço - SERRETA.

Bem-vindo à Serreta, a freguesia de Nossa Senhora dos Milagres, do concelho de Angra do Heroísmo, ilha Terceira - Açores.

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